Objectos de Culto #1 Nano Boy

Todos nós temos objectos que nos acompanham no dia a dia, quer pela sua utilidade, pelo seu valor afectivo ou outra razão, o certo é que esses objectos ganham uma importância crescente no nosso dia a dia. De uma conversa nasceu uma ideia interessante, encontrar e apresentar objectos que respeitem 3 conceitos para mim importantes *Utilidade, *Simplicidade e *Design apelativo.

Estes conceitos carregam uma grande dose de subjectividade, mas o conceito desta rubrica é esse mesmo poder divulgar e estimular a discussão ajudando-nos a encontrar objectos com os quais encontremos alguma afinidade e que nos facilitem o dia a dia. Espero que desfrutem, tanto quanto eu, destas minhas viagens.

#1 Nano Boy



a) Necessidade

Eu tenho uma carteira de pele onde carrego inúmeros cartões (de débito, cartão de cidadão, carta de condução, ...), notas, um ou outro papel. Por não querer que fosse muito massuda optei por não querer que tivesse porta moedas incluído. Com o tempo, e pela quantidade absurda de cartões que nos vão impingindo, onde tinha um cartão, comecei a ter 2 (ou mesmo 3). Enfim...

Quando dei pelo absurdo que carregava no bolso, resolvi tentar "limpar" a carteira, mas com o excesso de cartões, a carteira ficou deformada, e se colocar apenas 1 cartão em cada ranhura os cartões caem.

Não vale a pena! Se tens espaço vais necessariamente acrescentando itens! É instintivo e rápido (e aparentemente prático). Cartão do continente? Carteira. Cartão do posto de gasolina? Carteira. Cartão das farmácia? ... E por ai ...
Os cartões são como cogumelos, aparecem dos sítios mais absurdos.

 "Perfection is Achieved Not When There Is Nothing More to Add, But When There Is Nothing Left to Take Away"*  Antoine de Saint-Exupery, escritor francês

Outro dos problemas é que estava a estragar-me o bolso do casaco, e sempre que saio vejo-me obrigado a andar com a carteira na mão, o que não é nada prático. 

b) Solução?

Comprar outra carteira igual não será a situação ideal, resolve o meu problema temporariamente. Então andei a fazer umas quantas pesquisas.

Determinei que a minha carteira tinha que ser pequena, prática e apelativa. Só quero andar com o essencial, e essa escolha (do que é essencial) tem de ser imediata, isto é, ganho novo cartão se não é essencial não vai para a carteira.

Vislumbrava-se uma tarefa difícil, e eis que deparei com algumas soluções interessantes. Parece que o problema não só me afecta a mim. :)

Esta foi a carteira que acho que melhor serve os meus propósitos (Nano Boy Wallet), vem da Alemanha, Munique de uma empresa chamada Jaimie Jacobs.

c) Sobre ...

Tem um cartão (principal), que para mim será o cartão de débito, que está sempre à mão. Tem uma bolsa para notas (poucas é certo), um outro papel pequeno e umas quantas moedas (o troco ocasional). Do outro lado, facilmente acedemos a 12 cartões. (Veja o vídeo)


d) O que penso ...

Parece-me uma boa solução. Mas só o tempo dirá como se vai comportar o material de que é feita. Tem um capacidade muito reduzida para levar moedas, mas também não tenho intenção de a usar como porta moedas, e parece-me que o propósito é guardar, temporariamente, o troco de qualquer compra o que parece ser razoável atendendo ao seu conceito.

Testei o Nano Boy com o cartão do metro ("cartões de contacto"  ou de "aproximação") e funcionou. Ou seja, ao passar a carteira pelo pórtico reconheceu a viagem sem necessidades de o retirar da mesma.

É acima de tudo minimalista, o que me agrada muito.



Características disponibilizadas pela empresa

- Formato extra fino, reduzido ao essencial
- Máximo de 13 cartões
- Dimensões 8.6 cm x 5.6 cm
- Rápido acesso a um cartão principal
- Aba para acesso aos restantes 12 cartões
- Feita no coração da Europa
- 3 anos de garantia


e) Embalagem:

Elegante caixa preta, carteira e cartão com 10% de desconto.

Para quem esteja interessado, partilho com vocês o código de desconto  de 10 % que me foi oferecido. (Código: JJWT2016)
 Nota: Desconto em vigor até o final de Outubro de 2016 segundo me foi informado.





f) Onde por ser adquirida:


Pode ser adquirida no amazon ou directamente na loja  Jaimie Jacobs.
- Preço actual: 39,00 € (Set 2016)
- http://www.jaimiejacobswallets.com/products/nano-boy#

g) Sobre a empresa, o conceito

Jaimie Jacobs. «Acreditamos que são as pequenas coisas na vida que nos fazem realmente felizes. Em tudo o que fazemos aspiramos dar um toque especial e agradável extra a essas pequenas coisas.»
(Tradução minha)
Link: http://www.jaimiejacobswallets.com/


h) Vídeo


Posted in | Leave a comment

Opinião: O Livro de Aron de Jim Shepard

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

 



Pela mão do pequeno Aron, somos levados a conhecer a Polónia de 1939, onde ele e a família vivem.

Pouco tempo depois, enquanto judeus, são conduzidos ao gueto de Varsóvia, onde a crueldade, a fome e a doença destroem as vidas de quem aí foi aprisionado. Porém, Aron e um grupo de amigos conseguem ajudar as famílias, esgueirando-se do gueto para fazer contrabando.

Num relato comovente e intenso, Jim Shepard mostra-nos, através da voz de uma criança, como é possível manter a dignidade humana nas condições mais adversas.

Um romance notável destinado a juntar-se aos clássicos sobre o holocausto escritos na perspetiva de uma criança .
. .




Aron permite-nos um olhar diferente da segunda guerra mundial. Um olhar entre a ingenuidade e o sofrimento atroz, onde não há heróis, onde não há condutas reprováveis, onde a fronteira entre o certo e o errado se esbate de tal forma que a sobrevivência se sobrepõe a tudo o resto.

Uma das coisas que mais apreciei no livro foi a visão escolhida pelo autor para narrar esta história.

Ao optar por fazer de Aron, uma criança de 8 anos, o nosso ponto de observação, contamos desde logo com uma visão muito centrada no seu mundo: o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos e os seus amigos. Centrada nas suas prioridades, no seu contexto. Centrada, por força das circunstâncias, na tentativa de percepção do que uma ocupação
hostil implica.

Para tornar a narrativa mais rica e complexa, e por conseguinte mais apelativa e para que desde cedo sentíssemos uma imediata ligação emocional, Jim Shepard, criou uma personagem frágil, subestimada e incompreendida pela família, que muito me agradou. Contudo esta pode ser uma perspectiva que também apresenta algumas fragilidades uma vez que ficamos limitados um pouco à curta experiência de vida da personagem, a seu pequeno mundo. Mas percebo a intenção de uma visão focada no cerne da história.

Há um detalhe que salta à vista e que quebra o “protocolo”: por norma, existe uma evolução literária, partimos da "normalidade" da personagem, do seu dia a dia, para depois ser confrontado com obstáculos e ser impelido, primeiro pelas circunstancias e depois por si mesmo, a mudar para outro estádio, por norma oposto ao inicial. Neste caso é diferente, porque partimos de uma realidade de uma espécie de rejeição para um futuro que não se advinha muito risonho. O que me fez olhar com mais atenção e com mais respeito, para a linha de narrativa escolhida.

Esta é uma história que se cria do amadurecimento forçado de uma criança que perante as vicissitudes de uma realidade hostil tenta sobreviver. E que apesar das acções a que se vê obrigado, carrega bem no seu âmago uma espécie de ética, de coerência humana, se assim lhe pudermos chamar.

Gosto como a narrativa transforma e carrega no seu ADN o conceito de incerteza. Incerteza do futuro, incerteza das reacções dos seus pares, incerteza do papel de cada um, incerteza de um mundo que mal se compreende e se encontra em mutação. Tudo é uma grande incógnita numa realidade, que literalmente, o engole.

Um outro olhar sobre a segunda guerra mundial.

Posted in , , | Leave a comment

Gritos Silenciosos de Angela Marsons




Cinco pessoas reúnem-se em volta de uma campa rasa. Todos se tinham revezado a cavar. Uma cova para um adulto teria levado mais tempo.. Uma vida inocente fora tirada, mas o pacto fora feito. Os segredos deles seriam enterrados, ligados no sangue...

Anos mais tarde, uma mulher é encontrada brutalmente estrangulada, o primeiro de uma série de assassínios que choca a região inglesa conhecida como Black  Country.

Mas quando são descobertos restos humanos num antigo orfanato, são também desenterrados segredos perturbadores. A inspectora detective. Kim Stone percebe rapidamente que procura um indivíduo cruel cujos homicídios se estendem por décadas. Uma vez que as mortes continuam, Kim tem de parar o assassino antes que ele ataque de novo. Mas, para o capturar, será Kim capaz de enfrentar os demónios do seu passado antes que seja demasiado tarde?

Os fãs de Rachel Abbott, Val McDermid e Mark Billingham irão ser agarrados por esta excepcional nova voz na ficção criminal britânica
.


 

Angela Marsons fez a sua estreia no género do thriller, alcançando um imediato êxito internacional. 

Gritos Silenciosos é o primeiro capítulo na série protagonizada pela inspectora detective Kim Stone. Angela vive na região inglesa de Black Country, a mesma onde se passam os  seus thrillers..


Posted in , | Leave a comment

"Fui transferido do colégio para a escola pública"

Estamos no inicio de mais um ano lectivo, e o stress com as aulas afecta toda a família, seja pelas mudanças à logística familiar que isso acarreta, seja pelas preocupações que novos ciclos trazem ou pela ansiedade dos nossos filhos perante o desconhecido.

Nada melhor que um texto divertido que partilharam comigo e não resisto partilhar também, até porque o próprio texto propõe essa partilha.

Preparem-se para a boa disposição ...


«Fui transferido do colégio para a escola pública



Começou o ano lectivo e há cerca de 10000 alunos que foram transferidos do ensino privado para o público, depois dos cortes do governo no número de turmas financiadas pelo Estado em escolas particulares. São dez mil alunos que vão para o desconhecido e que serão largados na selva que é o sistema de ensino público, cheio de pessoas pobres e malformadas. Tive acesso ao diário do Bernardo, 14 anos, que viu a sua vida sofrer uma mudança radical ao ser transferido para um desses ninhos de piolhos e tuberculose.

O relato que se segue pode ferir a suscetibilidade dos leitores mais sensíveis.

9:00h - Primeira aula e desde logo notei algo de muito estranho quando a professora fez a chamada: todos os meus colegas têm apenas dois nomes. Aliás, eu ia levando falta por não ter respondido «presente» quando a senhora professora chamou por Bernardo de Melo! Só respondo quando usam dois apelidos, Bernardo Campos de Melo! Notei, também, que os poucos que eram chamados com três nomes era porque tinham dois nomes próprios: Cátia Vanessa, Sandro Miguel, Andreia Patrícia. Estranhei, não o facto de terem dois nomes próprios, mas o facto de nenhum deles ser Maria.

9:30h - Cada um fez uma pequena apresentação sobre si e um dos colegas que me chamou logo à atenção foi o Wilson! Nunca tinha visto ninguém tão bronzeado! Aquilo só pode ser solário duas vezes por dia o que me leva a crer que os pais dele devem ter imenso dinheiro e ele tem um SPA em casa. E isso leva-me também a querer um para mim.
Note to self: falar com o papá para comprar um solário para colocar ao lado do jacuzzi.

9:45h - Outra colega que estranhei foi a Vânia que disse que depois das aulas trabalhava num café. Não percebi o conceito e peguei logo no iPhone Gold para pesquisar no Google e, ao que parece, existem mesmo pessoas que trabalham e estudam ao mesmo tempo! Até existe o termo que desconhecia por completo «trabalhador-estudante». Dizem que é para pagar os estudos e terem dinheiro para viver. Coitada, os pais dela devem ser mesmo forretas ou talvez tenham morrido e alguma tia lhe terá ficado com a herança e as casas todas.

10:30h - Pedi uma caneta emprestada ao Pedro Miguel (lá está mais um com segundo nome que não é Maria) e reparei que o estojo dele era muito giro. Perguntei-lhe onde tinha comprado aquele estojo, assim com ar vintage, e ele disse-me que não se lembrava, isto porque o tinha sido comprado no 5º ano. Diga, Pedro Miguel? Não percebi e perguntei-lhe «Como assim? Reutilizas estojos de um ano para o outro? Não compras sempre mochila, estojo e todo o material novo?» e ele respondeu-me «Não, porque eu estou no SASE.». Senti-me envergonhado por não ter percebido logo que ele fazia parte de um desses clubes de colecionadores que só utilizam artigos raros e antiquíssimos.
Note to self: pedir dinheiro ao papá para a joia de inscrição no SASE.

13:00h - Almocei na cantina e ao início fiquei satisfeito por ser arroz de pato, mas depois, percebi que era arroz de frango. Já que assim era perguntei se, ao menos, me podiam servir só com a parte escura do frango, já que o peito é muito seco. A senhora Custódia, da cantina, riu-se e perguntou se eu queria sobremesa. Perguntei o que havia e ela respondeu «Gelatina de morango, gelatina de ananás e gelatina de tutti frutti.» Já me tinham falado de praxes, mas não sabia que eram assim tão humilhantes. Esperemos que sejam só nos primeiros dias e que para a semana já haja pato e crumble de maça com gelado caseiro.

14:00h - Alguns colegas, como sabem que venho de um meio diferente e mais civilizado, convidaram-me para integrar uma lista para concorrer à associação de estudantes. Aceitei desde logo e perguntei quem eram os outros jotas para formarmos um grupo forte e com experiência política. Disseram-me que o único jota era o JP e que era ele que sacava as músicas do Anselmo Ralph para passar durante a campanha.

15:40h - No intervalo grande gerou-se uma discussão e dois alunos começaram a agredir-se. Um deles era claramente mais forte do que o outro (deve fazer parte da equipa de rugby). O outro rapaz ficou maltratado e disse-lhe «Vou chamar o meu pai e o meu tio!» o que me leva a pensar que deve ser filho de alguém importante e que os seus familiares virão cá à escola apresentar queixa. Os outros alunos que estavam a assistir a tudo bem que disseram «Agora é que vai ser, vem a família toda do Igor e vai ser só xinadas e fuscas na escola!».
Note to self: perguntar ao papá se conhece os Xinadas e Fuscas e se é uma família brasonada.

16:00h - Chego à aula de educação física e qual não é o meu espanto quando não vejo onde estão os estábulos dos cavalos para o hipismo! Nem campo de ténis e, afinal, não havia campo de rugby! Resta-me esperar que as obras que estão a fazer atrás do pavilhão sejam para construir um campo de golfe.

16:10h - Notei que alguns dos meus colegas não tinham roupa de marca. Esta altura do Verão às vezes é complicada porque as empregadas vão de férias e não há quem nos lave e passe a roupa e temos de usar aquela de andar por casa, tipo Zara e Springfield, que só usamos para dormir.

17:00h - Fui à aula de Educação Moral e Religiosa e finalmente uma professora que me pareceu competente. Freira, como as que tão bem me educaram no colégio do 1º ciclo, só para rapazes, onde andei. No fim, cantámos algumas das músicas de que mais gosto «No rabo é pecado.» e «Jesus melhor do que Phelps.».

17:50h - Um dos meus colegas atendeu o telemóvel no meio de uma aula e fiquei chocado! Já não há respeito! «Pai, vou sair daqui a bocado, vens buscar-me?», perguntou ele! A tratar o pai por tu? Será que também o faz com a mãe? E será que os pais também o tratam por tu? Começo a perceber que quando se dizia que as pessoas do ensino público não têm a mesma educação nem princípios é, de facto, verdade.

18:00h - Ao sair da escola, vejo três rapazes na minha direção e percebi logo que deviam ser irmãos do Wilson, pois estavam tão ou mais bronzeados do que ele. Fiquei pasmado quando me pediram dinheiro! «Como é que pessoas que têm solários em casa precisam de dinheiro emprestado», pensei. Mas, depois, percebi que era um assalto! Estavam a assaltar-me mesmo à porta da escola! Os mitos que se contavam no colégio afinal são mesmo verdade. A vida é injusta, se eu andasse por aí, como os irmãos do Wilson, a roubar dinheiro aos outros, também tinha possibilidades de ter um SPA com solário na minha moradia.

Arrepiante. Ao pé deste diário, o da Anne Frank é uma história para crianças. Resta-me deixar o apelo a todos para que partilhem este texto para que todos possam ver a desumanidade a que estão a ser sujeitados milhares de alunos que foram obrigados a sair da sua escola privada para esta zona de guerra que é a escola pública. »


Fonte: http://porfalarnoutracoisa.sapo.pt/2016/09/fui-transferido-do-colegio-para-escola.html

2 Comments